Rei Posto…

Dia das crianças. Ele acorda animado. Depois de um logo período mais voltado ao trabalho, resolve que hoje é dia de fazer alguma atividade com os filhos. Abre a janela e visualiza o campo de grama sintética da Lagoa. Vazio! Incrível. Chama os filhos para bater uma bolinha. O mais velho, sentado em frente ao computador, não esboça reação alguma. O mais novo se empolga. Beleza, vamos nessa!

A bola, velha e murcha de guerra, é enchida e ganha uma nova aparência. O campo, um pouco molhado, quase encharcado, mais borracha do que grama sintética, aceita bem os visitantes fortuitos. Começa a peleja. Toques de bola para aquecer. Depois penalidades. O pai no gol e o filho treinando chutes. Cabeceios. Passes longos. 

Tudo vai bem, até que o pai resolve bater faltas de longe, para o filho treinar os dotes de goleiro. Primeira falta: chute torto, sem direção. Segunda: nas mãos do goleiro. Terceira: bola com efeito, descaindo e resvalando o travessão. Uau. Relembra os velhos tempos, quando era o quarto a ser escolhido para um dos times na pelada (nunca chegou a ser o primeiro ou o segundo, mas não ficava de fora). Agora está empolgado e resolve bater do meio campo. Grita: “filho, segura essa, no ângulo esquerdo!”. Guarda a distância necessária da bola. Faz os cálculos e ensaia com que parte do pé vai chutar. A corrida é cadenciada, quase arrogante. Já próximo à bola, percebe que o pé de apoio não está bem posicionado. Tenta compensar contorcendo o corpo. O chute não sai como imaginado. O ruído é diferente, quase como se a bola fosse de madeira. “Algo saiu errado”. De repente, a fisgada, a incredulidade, a queda e a dor lancinante. Adutor da coxa rompido. Ainda consegue ver o filho rindo do chute ridículo, com a bola parando antes de chegar à pequena área.

Os quinze anos de recesso futebolístico cobram o esperado preço. Sai de campo cabisbaixo, segurando as mãos do filho, menos para atravessar a rua com segurança do que para se apoiar no menino. “Pai, vamos jogar de novo amanhã?”. Silêncio. Talvez no próximo dia das crianças, pensa.

Profenid ou Alivium? Cartas para a redação.

Tapa na Cara do Tio

Reclamava com meu sobrinho adolescente que ele não respondia meus emails, quando ouvi: “Tio, ninguém mais usa email!”

Logo, minhas sobrinhas, não menos adolescentes, ouvindo o pito que o tio levava, juntaram-se e começaram o deboche: “Ele ainda usa email???”

Argumentei que enviar email era mais prático que falar ao telefone, mas fui interrompido bruscamente: “Falar ao telefone??? huahuahuahuahua (risos)”

Em suma, após o achincalhe e a crise de risos histéricos, foi-me dado saber que hoje em dia a comunicação entre as pessoas descoladas e antenadas se faz exclusivamente por mensagens instantâneas, via whatsapp, snapchat e adjacências.

Eu, que não queria instalar em minhas máquinas mais nada que me roubasse tempo, acabei me rendendo e acabo de me tornar mais um integrante da rede do whatsapp. A propósito, se alguém souber como impedir que a pessoa que me manda a mensagem saiba quando eu li a dita cuja, por favor me ensine. É embaraçoso deixar para responder depois, achando que o outro pode se sentir menosprezado. Não é o caso (já aviso de antemão).

Tá ligado?!