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Tapa na Cara do Tio

Reclamava com meu sobrinho adolescente que ele não respondia meus emails, quando ouvi: “Tio, ninguém mais usa email!”

Logo, minhas sobrinhas, não menos adolescentes, ouvindo o pito que o tio levava, juntaram-se e começaram o deboche: “Ele ainda usa email???”

Argumentei que enviar email era mais prático que falar ao telefone, mas fui interrompido bruscamente: “Falar ao telefone??? huahuahuahuahua (risos)”

Em suma, após o achincalhe e a crise de risos histéricos, foi-me dado saber que hoje em dia a comunicação entre as pessoas descoladas e antenadas se faz exclusivamente por mensagens instantâneas, via whatsapp, snapchat e adjacências.

Eu, que não queria instalar em minhas máquinas mais nada que me roubasse tempo, acabei me rendendo e acabo de me tornar mais um integrante da rede do whatsapp. A propósito, se alguém souber como impedir que a pessoa que me manda a mensagem saiba quando eu li a dita cuja, por favor me ensine. É embaraçoso deixar para responder depois, achando que o outro pode se sentir menosprezado. Não é o caso (já aviso de antemão).

Tá ligado?!

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Falar em Público

Pesquisas mostram que entre os grandes medos que as pessoas costumam ter, falar em público figura em primeiro lugar, à frente da morte, que fica em segundo.

Ao saber disso, Jerry Seinfeld, o mais famoso comediante americano da atualidade, não perdeu a piada: “Isso significa que se você for uma pessoa comum e estiver em um funeral, provavelmente preferirá estar deitado no caixão a ter de discursar sobre as virtudes do finado.”

Para as pessoas extremamente tímidas, categoria que frequentei por muito tempo, a ideia de ser o centro das atenções é, de fato, aterrorizante.  Quem não tem problemas de timidez não entende esse tipo de angústia. São pessoas que puxam assunto com desconhecidos, põem-se ao microfone no karaokê mesmo estando sóbrias, reclamam seus direitos em altos brados no caixa do supermercado, inauguram a pista de dança, pedem a palavra em reunião de pais e mestres… Para estes, o tímido é um coitado, um problemático que precisa de tratamento.

Embora não chegue a ser uma doença, a timidez não é uma característica que se deva levar por toda a vida. A introversão prejudica a sociabilidade. O tímido tem muito a perder. E eu sempre soube disso. Lutei muito tempo contra a timidez, buscando racionalizá-la, mas poucas vezes consegui contorná-la. Até que veio o ano de 1993…

Em junho de 1993, com 23 anos de idade, tomei posse no cargo de Procurador da Fazenda Nacional, concurso no qual, à época, para minha satisfação, não havia prova oral.  Cerca de um mês de casa, fui chamado por uma procuradora mais antiga para uma conversa. “Preciso fazer uma viagem e indiquei você como meu professor substituto no curso de pós-graduação em direito tributário da universidade X”, disse-me ela. “Você dará quatro aulas, já no mês que vem. Prepare-se!”. Não foi um convite. Fui intimado e não tive chance alguma de manifestar recusa. Voltei para casa aterrorizado e assim permaneci em todo o tempo que antecedeu o início das aulas. Preparava-me com afinco, racionalizava a experiência (“O que pode me acontecer de ruim? Não vou morrer…”), mas a angústia crescia dia a dia.

Na estréia, cheguei com uma hora de antecedência e fiquei circulando como um louco pelo campus da faculdade, olhando para o chão e tentando me acalmar, sem sucesso. Entrei completamente tenso em sala de aula. Fui agressivo com os alunos logo no primeiro contato, postura típica de quem quer manter distância. Lecionava olhando para as paredes, voltava-me o tempo todo para o quadro, dando as costas ao meu público, levantava a voz desnecessariamente…enfim, uma estréia trágica. Mas fui ganhando confiança e melhorei nas aulas seguintes. No fim das contas, ainda que a experiência dos alunos não tenha sido boa, para mim acabou ao menos funcionando para quebrar o gelo.

Logo depois veio outro sofrimento: a prova oral do concurso do Ministério Público, em setembro do mesmo ano de 1993. Ainda que o espírito da banca parecesse de aprovação e que eu estivesse bem classificado, não foi uma experiência sem trauma. O auditório estava cheio e submeter-me àquela massa de curiosos era a última coisa que eu queria. Ao menos a prova versava sobre apenas um tema, sobre o qual tive de fazer uma exposição de 10 minutos. Foi difícil, gaguejei algumas vezes, mas no todo não foi mal e acabei sendo aprovado.

O pior viria logo depois.

Minha primeira lotação como Promotor de Justiça foi na Comarca de Resende.  Imediatamente na chegada, a bomba: em 15 dias, teria de fazer um júri. Um júri! Agora, já não bastaria falar em público. Teria ainda de me esforçar para convencer 7 jurados. Mas por que diabos fui escolher essa carreira? Não era muito fã da área criminal, mas tolerava as audiências. Agora, um júri estava além da conta. Minha primeira reação foi procurar colegas indagando se seria possível pedir à corregedoria que enviasse algum outro promotor que me substituísse no encargo. Fui prontamente demovido da estapafúrdia ideia. Cheguei a pensar em simular uma doença ou algo similar, mas, no fim, não tive escolha. Passei a estudar o processo como se não houvesse amanhã. Não queria e não podia ser surpreendido pelo advogado de defesa. Esta, aliás, era uma outra preocupação: contra quem eu duelaria?

Corri atrás de conselhos de colegas mais experientes. Ouvi de tudo. “No júri, não é promotor que tem que ficar nervoso, nem o defensor e nem o juiz. Quem tem que ficar nervoso é o réu!”; “se o advogado de defesa estiver encontrando um bom ritmo e atraindo a atenção dos jurados, jogue os autos do processo no chão, tussa bem alto, dê uma gargalhada…depois peça desculpas; isso irá desconcentrá-lo”; “se o advogado chorar falando da família do réu, chore logo depois referindo-se à família da vítima; se não chorar, o júri estará perdido”. Como se vê, esses conselhos nada ajudam que não é versado em artes cênicas…

Processo estudado, folhas marcadas, tese de acusação preparada, chega o dia. “Metade” da cidade acorre ao salão do júri. Estou na sala do Ministério Público, como se estivesse em uma jaula. Ouço o burburinho e me encho de ansiedade. Ando nervosamente de um lado para o outro. “Preciso me acalmar, senão posso sofrer um ‘branco’”. Peço à moça da lanchonete que me traga um suco de laranja. Quando ela volta com a jarra, aparece um engravatado atrás dela e pede para falar comigo. Não digo nada, mas ele entra mesmo assim e se apresenta: é o meu “adversário”. Aparenta ter pouco mais que a minha idade. Cumprimento-o sem graça e desejo um bom júri. “Quantos júris o senhor já fez?”, pergunta ele. Por uma fração de segundo penso em qual seria a resposta mais adequada para o momento, mas opto pela sinceridade e informo que estou debutando. Ele respira aliviado e sorri: “eu também!”. O clima dá uma desanuviada e eu ofereço-lhe um copo de suco. Ele então pergunta se estou nervoso. Digo que estou um pouco e ele mostra cumplicidade: “pois estou em pânico e preciso relaxar de alguma maneira”. Dizendo isso, tira do paletó uma garrafinha de Johnny Walker e indaga se iria bem com o suco de laranja. Na mesma hora estendo o copo. Bebemos juntos, em silêncio. É claro que whisky não vai bem com suco de laranja, mas quem se importa? Além do mais, uma dose não me faria mal. Terminamos em silêncio e nos despedimos, com um aperto de mãos tremidas.

O júri transcorreu na normalidade e não me recordo de nada digno de nota. O réu acabou condenado, por 4 votos a 3. Não comemorei o resultado. Alguém foi morto, houve um júri e o réu foi condenando. Não havia o que festejar. Mas fiquei feliz com o meu desempenho. Já me sentia mais confiante para falar em público. Cheguei a fazer júris também em outras comarcas de interior, até que fui designado para a baixada fluminense, onde, durante cerca de três meses, fiz algo em torno de 20 júris. Foi a minha grande escola de oratória. A partir dali, fiquei vacinado e já me sentia mais confiante para falar em público. Eliminei as gírias, passei a concatenar melhor as ideias e a ser conclusivo e foquei na boa dicção.

Em 1996 mudei novamente de emprego ao tomar posse no cargo de Juiz Federal. Já mais tarimbado, passei a lecionar em cursos preparatórios para concursos e nunca mais parei. E lá se vão, desde então, 18 anos de aulas, seminários, palestras etc. A timidez ainda persiste, mas consigo controlar.  O importante é que o medo de falar em público nunca me impediu de aproveitar as diversas oportunidades profissionais que me apareceram.

Para quem ainda luta para vencer esse medo, aí vão alguns conselhos:

  • sempre que possível, aceite os convites que receber

Se você racionalizar, nunca vai se achar pronto. Se alguém te convidou, é porque tem um mínimo de confiança no seu potencial. Honre essa confiança e vá à luta. Ainda que as primeiras experiências não sejam das melhores, você irá ganhando cancha e, com o tempo, acabará se acostumando

  • prepare-se intensamente, com a máxima antecedência possível

Nunca apareça para falar em frente a uma platéia, seja qual for o tamanho dela, sem dominar o assunto sobre o qual irá discorrer. Nem pense em improvisar.  A confiança só virá com a certeza do conhecimento.

  • ensaie antes

Treine a exposição em frente a um espelho ou grave em vídeo o ensaio. Veja se há algo errado ou estranho em seus gestos, se estão repetitivos ou nervosos. Corrija a postura. Elimine os vícios de linguagem.

  • comece de forma impactante

Os 3 primeiros minutos são vitais em qualquer exposição oral. Qualquer sinal de insegurança, receio ou chatice serão logo notados pela platéia, que, nesse caso, irá se dispersar ao longo da narrativa. Assim, se possível, comece logo atacando algum aspecto da exposição que pode gerar grande curiosidade, como um cartão de visitas.  As expressões nos rostos dos ouvintes demonstrarão interesse e isso te fará relaxar e aproveitar a jornada.

  • se não tiver mais nada a dizer, encerre

Já viu alguém reclamar que a palestra foi curta? Ainda que tenha falado menos tempo que o programado, é melhor finalizar cedo que tentar improvisar para ganhar tempo.

E, a propósito, não me ocorre mais nada, por isso encerro aqui.

 

 

 

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A relação com a guitarra

Vinha eu atravessando a Avenida Presidente Vargas em direção à boca do metrô da Uruguaiana. Estudava na Praça Mauá e morava na Tijuca. Na ida, pegava o 220, que fazia a ligação Usina-Praça Mauá. Na volta, costumava optar pelo metrô, para variar. Descia na Saenz Peña e subia a Desembargador Isidro, que era a minha rua.

Mas vinha eu, como dizia, na volta do colégio, atravessando a Avenida Presidente Vargas em direção à boca do metrô da Uruguaiana, quando avistei a Gabriela Discos, bem ao lado da estação. Lembrei na hora de um “vale-disco” que tinha ganho na véspera em um “amigo oculto” da turma. Era um fim de 1982 e, então com 13 anos de idade, começava a me interessar por música. Sem nenhuma ideia sobre qual disco escolher, pedi uma sugestão a um amigo. Disse-me ele que o irmão mais velho não tirava o Led Zeppelin IV da vitrola. Sugestão dada, sugestão aceita (se bem que qualquer um que ele indicasse eu compraria). Já tinha ouvido falar do Led Zeppelin e de fato achava que era música de descolado. “Vou tirar onda…”, pensei.

Disco comprado, voltei analisando a capa. Mas que capa? Não havia nenhuma indicação de que se tratava de um disco do Led Zeppelin. “Será que levei o disco certo?”. Anos depois vim a saber que se tratava de uma estratégia de marketing da banda. Obviamente, funcionou…

Na chegada em casa, lembro que fui direto ao “3 em 1″ da sala e pus o disco na bandeja. A partir daí, as coisas ficam nebulosas em minha mente. Sei que minha ideia inicial era ouvir alguns segundos de cada faixa, para ganhar uma visão geral da obra. Entretanto, logo na primeira estrofe da faixa inicial (“Black Dog”), entrei em um estado de transe.

Hey, hey, mama
Said the way you move
Gonna make you sweat
Gonna make you groove

Alguns segundos de um vocal furioso, com instrumentos silenciosos. “Que diabo é isso?”. Logo depois, a explosão.  O riff mais potente que eu iria ouvir em toda a minha vida, fazendo meus ouvidos “sangrarem” pedindo mais.

Sentei e ouvi o lado A inteiro, faixa a faixa, com um olhar que não via e o cérebro a mil. Era difícil processar aquilo. Estava extasiado e ao mesmo tempo angustiado. Quando acabou, eu não tinha forças para ouvir o lado B. Aliás, levou algum tempo, talvez meses, até que eu me interessasse em conhecer as músicas do lado B. Parecia tão supérfluo…

Essa experiência transcendental me criou um problema. Eu já não queria apenas ouvir Led Zeppelin. Eu queria fazer o mesmo. Muitos amantes da música se contentam em ouvir, apreciar, criticar. Eu precisava me envolver mais diretamente com aquilo. Eu precisava tocar algum instrumento. Compartilhei minha experiência no colégio e logo encontrei colegas que tinham tido a mesma “visão”, cada qual com o seu clássico (Dark Side of the Moon – Pink Floyd, Sgt Peppers – Beatles e por aí vai). Não demorou até que ideia de formar uma banda surgisse, ainda que ninguém soubesse tocar. Os instrumentos foram distribuídos quase que na base do “quem pediu primeiro”. Convocado para uma das guitarras, voltei para casa fazendo planos de começar logo o meu aprendizado.

Havia um violão encostado em um dos quartos, no qual minha mãe costumava tocar modinhas. Como eu não me interessava por modinhas e associava o instrumento a elas, nunca tinha tido curiosidade de manuseá-lo. Mas agora era diferente. O violão seria minha iniciação no Rock and Roll. Tão logo eu o dominasse, partiria para a guitarra. Logo vi que esse violão, de tão velhinho, não ajudaria no aprendizado. Torrei a paciência dos meus pais e acabei ganhando um Giannini, novinho em folha. Para resumir a história, dos 13 aos 17 anos não houve um dia em que eu não o tenha tocado. Do primeiro riff aprendido (“Satisfaction” – Stones), da primeira música (“Patrulha Noturna” – Paralamas), até o primeiros solo (“Ovelha Negra” – Rita Lee), aporrinhei muita gente lá em casa. Repetia os fraseados ad nauseam até que minhas irmãs, agonizantes, pedissem providências às “autoridades superiores”. Dormia praticamente abraçado com o instrumento.

E tome ensaios com a banda dos músicos iniciantes  barulhentos, para desespero dos vizinhos. De tanto insistir, fomos melhorando e começamos a conseguir algumas gigs. Tocávamos em saraus de colégios, festas de cidades de interior, feiras, bailes de clubes e onde mais arrumássemos testemunhas para nos ouvir. Tivemos vários nomes (Inkilinus, Anonimato sem Cachorro, Complexo R…) e chegamos a gravar “demos”, que enviávamos para as rádios e acabavam devidamente engavetadas.

Chegou ao ponto de imaginarmos que poderíamos seguir carreira. Ao menos essa era o meu desejo, até que me vi chegando ao fim da faculdade de Direito, sem nenhuma perspectiva de “acontecer” como músico e com apenas alguns trocados no bolso.  A vontade de conseguir minha independência financeira falou mais alto e o sonho musical esmoreceu. Formado, decidi que iria estudar para concurso e o resto…o resto é uma outra história, que conto em outra ocasião.

A paixão, no entanto, nunca morreu. Sempre estive acompanhado de minhas guitarras, que hoje têm um armário especial para serem guardadas em minha casa. Às vezes fico muito tempo sem tocá-las e o recomeço é árduo, pois os dedos enferrujam. Mas quando volto à velha forma, tirar um solo como o de Another Brick in the Wall e tocar em cima de uma backing track bem gravada dá um prazer indescritível. É como seu eu voltasse no tempo e me imaginasse com uma sólida carreira musical. Fecho os olhos e estou de volta aos palcos.  Nessa hora eu me sinto extremamente recompensado por minha perseverança na difícil missão de aprender a tocar um instrumento. Não cheguei a ser um virtuose, nem conheço teoria musical. Aprendi insistindo, quase que por instinto. Ouvindo e tentando reproduzir. Não havia youtube, facebook, nada que pudesse ajudar. Era na raça e no calo dos dedos. Mas valeu à pena.

Hoje me divirto gravando minhas composições, publicando vídeos de solos famosos para o meu canal no youtube

e tocando bateria com amigos em uma banda cover de clássicos dos anos 60 e 70 (Cream, Blind Faith, Who, Stones etc). Sim, de uns dez anos para cá passei a tocar bateria também. Exploro isso em outra oportunidade.

A música funciona como um liberador de stress. Dá prazer e acalma. É uma de minhas terapias, que recomendo a todos. Meus filhos já estão no esquema. Um já tem a sua guitarra, ambos fazem aulas de bateria na oficina do grande Rui Motta e estão sempre expostos ao melhor Rock and Roll. Se eu deixar que aprendam nas ruas, voltarão imbecilizados musicalmente, como tantos outros.

 

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plugins, wordpress

Iniciando os trabalhos

Hoje, 17 de maio de 2014, é uma data muito especial. Meu primeiro plugin foi publicado no repositório oficial do WordPress. Master IDs é um plugin muito simples. Sua função é a de oferecer um jeito facilitado de saber a ID de qualquer tipo de página ou post. O administrador apenas escolhe o Post Type desejado, dentre todos os que existem no site, e todos os posts correspondentes aparecerão em uma lista suspensa – ou “dropdwon menu” – com os seus títulos e IDs.

Mas a importância desse momento, para mim, não está relacionada à finalidade do plugin em si.

A data de hoje é especial porque significa a realização de um sonho que surgiu quando, cerca de dois anos atrás, eu descobri o WordPress, enquanto pesquisava soluções para oferecer conteúdo online aos alunos do curso do qual sou fundador.

Depois de rejeitar diversos orçamentos com valores irreais apresentados por agências que nem mesmo demonstravam ter tido alguma experiência prévia no universo de cursos online, conheci esse projeto opensource e gratuito chamado WordPress e resolvi investigá-lo mais a fundo. Na verdade, já tinha ouvido falar dele, mas achava que se tratava de ferramenta específica para blogueiros. Qual não foi minha surpresa quando soube que novas versões do WordPress não apenas transformaram-no em um verdadeiro sistema de gerenciamento de conteúdo,  como as extensões, denominadas de “plugins”, poderiam levá-lo a fazer tudo o que a mente mais engenhosa pudesse idealizar.

Não demorou muito até que, mergulhado por completo em pesquisas em blogs de especialistas, tutoriais, livros e tudo mais que eu encontrasse relacionado ao tema, o meu primeiro site, inteiramente montado por mim em cima da plataforma WordPress, estivesse no ar: o Tribcast, no qual, até hoje, eu ofereço a estudantes jurídicos acesso a aulas em vídeo através de assinatura. Depois de algumas restruturações, o Tribcast atualmente tem as suas funções básicas dependentes de dois grandes plugins: o Sensei, da empresa Woothemes, que atua como LMS (“Learning Management System” ou Sistema Gerenciador de Aprendizado), e o S2Member Pro, desenvolvido pela Websharks, que é um plugin que transforma o WordPress em um “membership site”, ou seja, em um site de assinaturas.

Mas não parei por aí. Ainda precisava de uma plataforma para venda de cursos online, a fim de levar o Master Juris para a internet. Muitos testes e pesquisas foram necessários até que encontrasse uma tema/plugin perfeito para o que precisava: o Academy, desenvolvido por um programador russo conhecido como Themex, que supria quase todas as funcionalidades que procurava. Aquilo que o Academy não oferecia, encontrei em plugins diversos – agenda de aulas, limitador de acessos, newsletter etc. – que instalei gratuitamente, comprei ou cujo desenvolvimento encomendei.

Ainda vou postar muito a respeito de todas as ferramentas que conheci ao longo desses dois anos, voltados quase que exclusivamente ao segmentos de cursos online. Como indica o título desse post, estou apenas iniciando os trabalhos.

Nenhuma dessas realizações, entretanto, enquadrava-se no desejo que, como iniciei dizendo, surgiu quando comecei a lidar com o WordPress. Sim, é fato que o objetivo inicial era desenvolver websites funcionais sem ter de pagar especialistas para tanto. E esse objetivo eu alcancei, não apenas criando os citados masterjuris e tribcast, como outros (redireito, picks). Mas tudo foi feito como a montagem de um quebra-cabeças: escolhendo peças que combinavam entre si e se encaixavam em cada um dos projetos, instalando-as, desinstalando-as, empacando, buscando soluções em fóruns e tutoriais disponíveis na net, pagando freelancers para aquilo que não conseguia resolver, botando no ar, corrigindo as imperfeições, aperfeiçoando o design e as funcionalidades etc. Foi difícil, mas qualquer um com disposição e paciência poderia ter feito, mesmo sem conhecimento algum de códigos de programação e linguagens web.

Enquanto tudo isso acontecia, crescia em mim o desejo de me tornar um desenvolvedor de plugins para WordPress. Nasceu como uma vontade, que era mais um sonho para alguém que desconhecia por completo o que era HTML, CSS, jQuery e PHP. Mas a ideia de criar funcionalidades novas para essa fantástica plataforma que é o WordPress me fascinava. E depois que passei a seguir desenvolvedores conhecidos nesse meio, como Pippin Williamson, Tom McFarlin, Justin Tadlock, Brad Vincent, entre outros, mesmo muitas vezes nada entendendo sobre o que diziam, acabei obcecado pela ideia de me tornar um deles.

Venho estudando muito desde então. Não há um tutorial sobre plugins para WordPress na internet que eu não tenha, de alguma forma, acompanhado. Comprei os melhores livros sobre o assunto. Já fiz cursos online de HTML, CSS, JavaScript, jQuery e PHP, em escolas pagas e gratuitas, como treehouse, codecademy, codeschool e nettuts.

Sei que ainda estou bem no começo da jornada. Não tenho pretensões de seguir carreira, nem me imagino competindo por clientes com adolescentes-geniais-que-nasceram-para-programar.  Sou estável financeiramente, tenho carreira própria na área jurídica, já passei dos quarenta e não tenho ilusão alguma. Quero me tornar um programador diletantista. Quero aprender o que puder e depois lecionar para meus filhos e  sobrinhos, pois acho que, no futuro deles, quem não souber pelo menos uma linguagem de programação terá dificuldades de se inserir no mercado de trabalho, qualquer que seja a área.

Vou postar o resultado dos meus experimentos com códigos (que espero possam merecer o qualificativo de “plugins”) no repositório oficial do WordPress , para que  qualquer um tenha a possibilidade de usá-los gratuitamente. E se algum dia me tornar um programador experiente e qualificado, quero poder submeter meus plugins a mercados tradicionais como o CodeCanyon ou o Mojo e ver se alguém se encanta tanto pelas funcionalidades por mim idealizadas a ponto de pagar por elas.

No fim das contas, se meu talento não me levar onde eu gostaria de chegar, ao menos terei utilizado partes do meu cérebro que estiverem adormecidas desde sempre. A ideia de retardar o mal de alzheimer não deixa de ser atraente…

E é por isso, em suma, que comemoro a aprovação do meu primeiro plugin pela equipe de review do wordpress.org.

Até o fim de 2014, minha meta é chegar a 5 plugins disponíveis no repositório oficial. Vou me esforçar para batê-la, postando todos os meus avanços aqui, nesse blog criado especificamente para essa aventura. Se eu tiver algum leitor, ótimo. Do contrário, servirá o blog de diário pessoal.

Sigo em frente.

 

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